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Sesc Pompeia homenageia militante do movimento negro, cantor Geraldo Filme

Geraldo Filme, sambista, cantor e ativista do movimento negro é considerado um dos músicos responsáveis pela instituição do samba paulista, foi um consciente pensador e suas composições explicitavam sua visão crítica sobre as relações sociais, o racismo, o branqueamento da cultura preta, a gentrificação dos territórios pretos da cidade, os ritos de iniciação e a importância de valorizarmos as culturas de matrizes africanas.


Iniciativa busca identificar a cidade de São Paulo como território de memória da resistência e cultura negra e o samba como representação dos conhecimentos africanos. (foro: reprodução internet)

Durante o mês de maio, o Sesc Pompeia homenageia Geraldo Filme com o projeto Geraldo Filme e o Samba Paulista com co-curadoria do sambista e pesquisador Tadeu Kaçula. A iniciativa traz destaque para a importância do artista na história social do samba e memória da resistência e cultura negra, abordando o samba como representação dos conhecimentos africanos negligenciados em função do racismo estrutural. A programação conta com uma série de atividades, como shows, bate-papos, danças e passeios pelos bairros que se cruzam na biografia do sambista e na memória do samba paulista.


Ao longo do mês, diversos shows acontecem com a presença de grupos rememorando a obra de Geraldo, como Samba do Congo, Grupo Tlhangana, bloco Ilú Obá de Min, Instituto Samba Autêntico, Samba de Bumbo de Pirapora, Velha Guarda da Vai-Vai, o show É Tradição, e o Samba Continua com a Velha Guarda da Portela e Camisa Verde e Branco. Além disso, haverá um ciclo de bate-papos com temas como As rodas sagradas do universo negro brasileiro, Territórios de resistência Negra, Cultura tradicional no interior paulista e Apagamento da população Negra, todos com mediação de Tadeu Kaçula. Em parceria com o Guia Negro, plataforma de afroturismo, serão oferecidos passeios pelos territórios do samba paulistano nos bairros da Barra Funda, Bixiga e Casa Verde.


O projeto também contempla intervenções de dança, com as apresentações Vivendo Geraldo Filme, com Danilo Nonato, e Cordão, com Manu Avelar. Ação permanente de literatura no Instagram do Sesc Pompeia, o projeto de quadrinhos, Quadro a Quadro, de maio será em homenagem a Geraldo Filme. A trajetória do sambista é contada em quatro episódios com os traços do artista Tainan Rocha.

Programação completa


Shows


Samba do Congo Show Homenagem a Geraldo Filme


O grupo apresenta um show com músicas do homenageado, Geraldo Filme, e de integrantes do coletivo, intercaladas com narrações sobre a história do samba em São Paulo e a importância da trajetória de Geraldo. Dia 1/5. Segunda, 17h30 Comedoria. Livre R$40 / R$20 / R$12

Grupo Tlhangana Show Vissungo, O Canto dos Escravizados


O show resgata a memória do vissungo, canto de trabalho de pessoas negras escravizadas em Minas Gerais, destacando sua relação com a contemporaneidade. Dia 3/5. Quarta, 20h. Espaço Cênico. Livre R$30 / R$15 / R$9

Ilú Obá de Min


Ilú Obá de Min é uma instituição de arte, educação e cultura negra de São Paulo. Um de seus principais projetos é o Bloco Afro Ilú Obá de Min, que abre o carnaval de rua de São Paulo há 18 anos. O coletivo de mulheres conta com 400 integrantes com inspiração e foco voltados à mulher negra e à cultura afro-brasileira.

Dia 4/5. Quinta, 21h30. Comedoria. Livre R$40 / R$20 / R$12

Instituto Samba Autêntico Canta Geraldo Filme Part. Ayô Tupinambá, Jonas Petróleo e Raquel Tobias

Instituto Samba Autêntico é um movimento cultural focado na pesquisa da história do samba paulista, que também pesquisa e revisa as origens dos batuques afro-paulistas, bem como a cultura popular afro-brasileira.

Dia 5/5. Sexta, 21h30. Comedoria. Livre R$40 / R$20 / R$12

Samba de Bumbo de Pirapora Part. Nega Duda e Gê de Lima

O samba de bumbo foi um dos recortes pioneiros do samba a embalar os festejos de Carnaval no Estado de São Paulo.

Dia 11/5. Quinta, 21h30. Comedoria. Livre R$40 / R$20 / R$12

Velha Guarda da Vai-Vai Part. Dona Duda Ribeiro

A Velha Guarda da Vai-Vai, uma das principais agremiações do carnaval brasileiro, com 93 anos de existência, recebe a Dona Duda Ribeiro, reconhecida por sua alegria e carisma, e que, há 50 anos, está nos palcos cantando os clássicos do samba e da MPB.

Dia 12/5. Sexta, 21h30. Comedoria. Livre R$40 / R$20 / R$12

É Tradição e o Samba Continua Com Velha Guarda da Portela, Velha Guarda da Camisa Verde e Branco. Part. Virgínia Rosa e Walmir Borges

Show de encerramento do projeto Geraldo Filme e o Samba Paulista, com Velha Guarda da Portela, Velha Guarda da Camisa Verde e Branco. Participação: Virgína Rosa e Walmir Borges. Intervenção artística de Seu Gabi e Vivi (Casal soberano de mestre-sala e porta-bandeira).

Dia 13/5. Sábado, 21h30. Comedoria. Livre R$40 / R$20 / R$12


Bate-papos

Curadoria e mediação: Tadeu Kaçula


Vai cuidar de sua vida: As rodas sagradas do universo negro brasileiro

Com Egbomy Conceição e Juarez Xavier

A primeira discussão sobre a obra e o legado de Geraldo Filme aborda os valores culturais e religiosos que influenciam a visão de mundo dos povos africanos na diáspora. Candomblé, capoeira e samba são símbolos étnicos importantes que moldaram a identidade social do Brasil e ensinam sobre respeito, afeto, comunidade e preservação de valores culturais e simbólicos.


Data: 04/05, quinta, 19h30 Área de Convivência. Grátis. Livre


Egbomy Conceição é coordenadora do Instituto Nacional da Tradição e Cultura Afrobrasileira (Intecab), cujo objetivo é preservar os valores espirituais, culturais e científicos da religião tradicional africana no Brasil e seus desdobramentos, aprofundando o intercâmbio a nível nacional e internacionalmente. Ativista antirracista e contra a intolerância religiosa.


Juarez Xavier é ativista antirracista, possui graduação em Comunicação Social Jornalismo pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo (PUC-SP), mestrado e doutorado - Programa de Pós-Graduação em Integração da América Latina - Universidade de S. Paulo (Prolam/USP). Atualmente, é professor assistente doutor da Universidade Estadual Paulista (Unesp).

São Paulo, menino grande: Territórios de resistência negra

Com Amailton Azevedo e Claudia Adão

A política de gentrificação dos territórios que correspondem ao centro expandido da capital paulista foi crucial para o processo de higienização étnica de bairros que eram predominantemente negros, como os bairros da Liberdade e Bela Vista. Os apagamentos históricos e a invisibilização étnica desses territórios são temas fundamentais para compreender a importância de reconhecer e ressignificar os territórios negros, suas origens e seus legados históricos e culturais.

Data: 05/05, sexta, 19h30. Área de Convivência. Grátis. Livre


Amailton Azevedo é Professor do Programa de Estudos Pós-Graduados em História e do Departamento de História da Faculdade de Ciências Sociais da PUC-SP. Publicou os livros "Sambas, Quintais e Arranha-Céus: as microáfricas em São Paulo" em 2016, Entre Atlânticos: Protagonismo, Política e Epistemologia, em 2021, e dezenas de artigos com temáticas relacionadas à música e a cultura negra no Brasil, Cuba e Nigéria.

Cláudia Adão é assistente social e pesquisadora do racismo e sua articulação com o espaço urbano, faz tese de doutorado na FAU-USP sobre as estratégias de sobrevivência, resistência e cuidado de mulheres negras em territórios periféricos. É membra da Comunidade do Rosário dos Homens Pretos da Penha de França, colaboradora da rede BrCidades e autora do livro" Territórios de morte: homicídio, raça e vulnerabilidade social na cidade de São Paulo

Festas e Tradições de Pirapora: A cultura tradicional no interior paulista

Com Alessandra Ribeiro e Antonio Filogenio Jr.

Respeitando os saberes da tradição e oralidade dos ancestrais africanos, os batuques e o samba rural caipira dão identidade ao jeito de se fazer samba em São Paulo. Neste encontro, a proposta é celebrar e discutir manifestações como o samba de bumbo, que tem a cidade de Pirapora do Bom Jesus como referência; o jongo no Vale do Paraíba; o Tambú nas cidades de Piracicaba, Tietê e Capivari e Campinas, considerando que esses ritmos, danças e cantos tipicamente paulistas legitimam a nossa identidade cultural.

Data: 11/05, quinta, 19h30 Área de Convivência. Grátis. Livre


Alessandra Ribeiro é Historiadora e Urbanista pela PUC-Campinas, tem como linha de pesquisa a Matriz Africana: territórios, memória e representação. É gestora cultural da Casa de Cultura Fazenda Roseira, Mestre da Comunidade Jongo Dito Ribeiro, em Campinas, Mãe de Santo Umbandista, Coordenadora da Pós-Graduação em Matriz Africana e consultora especializada em estudos sobre gestão cultural de espaços públicos compartilhados e patrimônio cultural imaterial.


Antonio Filogenio Jr é Mestre e Doutor em Educação pela Universidade Metodista de Piracicaba. Tem experiência na área de Educação, com ênfase em História e Filosofia da Educação, atuando principalmente nos seguintes temas: educação e oralidade africana e afro-brasileira, educação e cultura afro-brasileira, educação antirracista, filosofia africana, afro-brasileira e latino-americana, educação decolonial e formação de professores.

Silêncio: Apagamentos da população negra

Com Bruno Baronetti e Kelly Adriano


A partir do reconhecimento de um sistema de exploração do homem pelo homem, o encontro discute os mecanismos institucionais e jurídicos que, mesmo após a abolição, inviabilizaram a inclusão social, econômica e cultural da população preta no projeto de nação que estruturou a identidade étnico-social do povo brasileiro.

Data: 12/05, sexta, 19h30. Área de Convivência. Grátis. Livre


Bruno Baronetti é professor e pesquisador da Cultura Popular Brasileira. É mestre e doutor em História Social pela USP. É autor dos livros Transformações na Avenida - História das escolas de samba da cidade de São Paulo (2015) e O Cardeal do Samba - Memórias de seu Carlão do Peruche (2019), ambos pela Editora Liber Ars.


Kelly Adriano é mulher negra paulistana, nascida na Barra Funda, no carnaval de 1973. Doutora em Ciências Sociais pela Unicamp, mestra em antropologia pela USP. É educadora, ativista antirracista, curadora, articuladora e gestora cultural. Trabalha no Sesc-SP, onde está como gerente da unidade Vila Mariana. Seus temas de pesquisa são: negritude, gênero, educação, antropologia urbana, antropologia política, artes e cultura.

Dança


Vivendo Geraldo Filme

Espetáculo reflete sobre como, atualmente, somos atravessados pelos processos de violência que o sambista Geraldo Filme anunciou a vida inteira em sua obra.

Com Danilo Nonato. Dias 4 e 5/5. Quinta e sexta, 19h. Livre. Grátis

Cordão

A performance se orienta a partir da pesquisa sobre um recorte da produção de Geraldo Filme.

De Malu Avelar. Dias 11 e 12/5. Quinta e sexta, 19h. Livre. Grátis

Passeios


Territórios do Samba Paulistano

Passeio percorre as ruas dos bairros Barra Funda, Bixiga e Casa Verde. Com Guia Negro Guia Negro é uma plataforma de afroturismo que realiza experiências turísticas em diversas cidades e faz produção independente de conteúdo sobre viagens, cultura negra. Vencedor do Prêmio Brasil Criativo -- melhores criadores de conteúdo 2023, recebeu o prêmio Zumbi dos Palmares -- Assembleia Legislativa de São, e faz parte Selo de Diversidade -- Secretaria Municipal de Direitos Humanos de São Paulo 2022.

Territórios do Samba Paulistano: Barra Funda

Um dos berços do samba na cidade de São Paulo, a caminhada percorre as ruas deste bairro operário, mais conhecido como italiano. Do Aparelha Luzia, passando pelo samba da Camisa Verde e Branco ao antigo Largo da Banana, resgatamos as histórias negras do bairro, que tem uma cultura e história negras muito vivas. A Barra Funda é um dos bairros da efervescência cultural, com rodas de samba e carnaval de rua.

Duração: cerca de 3h30. Data: 6 e 7/05 Grátis Inscrições: de 28/4 a 05/05 pelo app Credencial Sesc-SP ou Link

Territórios do Samba Paulistano: Bixiga

A experiência turística resgata as histórias que estão pelo bairro conhecido como italiano, mas que tem uma cultura e história negra muito vivas. O tour passa pela Escola de Samba Vai-Vai, por locais onde ocorrem rodas de samba, pelo instituto afroreligioso Ilê Ase Iya Osun do Pai Francisco, pela pastoral afro da Igreja da Achoropita, pela Casa de Capoeira do Mestre Ananias, entre outros lugares.

Duração: cerca de 3h30. Data: 13 e 14/05 Grátis Inscrições: de 05/05 a 12/05 pelo app Credencial Sesc-SP ou Link


Territórios do Samba Paulistano: Casa Verde

A experiência desvenda histórias, lugares e personagens da zona norte de São Paulo, que concentra o maior número de escolas de samba da cidade, além de inúmeras rodas de samba. O tour passa pelo Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso, redutos do samba, pela livraria Africanidades, pelo ateliê do artista João Candido e pela Escola Unidos do Peruche, entre outros.

Duração: cerca de 3h30. Data: 20 e 21/05 Grátis Inscrições: de 12/05 a 19/05 pelo app Credencial Sesc-SP ou Link

Traslado de ida e volta a partir do Sesc Pompeia Dias 6 e 7/5 (Barra Funda) Dias 13 e 14/5 (Bixiga) Dias 20 e 21/5 (Casa Verde) Sábados e domingos, 14h às 17h30 Grátis. A partir de 16 anos Inscrições a partir de 28/4 em Credencial Sesc SP e em Link

Literatura


Quadro a Quadro -- Geraldo Filme

Com Tainan Rocha

Projeto de quadrinhos, publicado em quatro episódios no Instagram. Nesta edição, Tainan Rocha desenvolve uma HQ sobre a trajetória de Geraldo Filme.

Terças, às 18h, em Link

Tainan Rocha É contador de histórias em linhas, traços e sons há mais de uma década. Já ilustrou e escreveu alguns livros e colaborou com importantes revistas como Piauí, Mundo Estranho, Casa Vogue, etc. Também desenhou diversas HQs como "Que Deus te abandone" e Savana de Pedra. Figurou entre os finalistas do Prêmio Jabuti. Atualmente, é character design no Studio Iguti, professor de artes e o responsável pela arte da adaptação para quadrinhos de Romeu e Julieta.

Serviço

Sesc Pompeia

Rua Clélia, 93. 

Não temos estacionamento. Para informações sobre outras programações, acesse o portal: Link

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