Você sabia? Carro elétrico dá mais enjoo, explica neurologista
- Antonio Montano
- há 1 dia
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Os carros elétricos chegaram para ficar. Mais silenciosos, tecnológicos e sustentáveis, eles conquistam cada vez mais espaço nas ruas. Mas, junto com essa nova forma de dirigir, um relato tem chamado a atenção de motoristas e passageiros: algumas pessoas dizem sentir mais enjoo, tontura ou mal-estar durante os trajetos.

Seria apenas impressão?
Segundo o Dr. Saulo Nader, conhecido nacionalmente como Doutor Tontura, existe uma explicação neurológica que ajuda a entender esse fenômeno."Não significa que o carro elétrico provoque uma doença. O que acontece é que algumas características da condução podem aumentar o desconforto em pessoas que já apresentam maior sensibilidade ao movimento", explica o neurologista.
Ao contrário dos veículos movidos a combustão, os carros elétricos entregam praticamente todo o torque de forma imediata. Na prática, isso significa acelerações muito rápidas e respostas quase instantâneas ao toque no acelerador.
Outro detalhe importante é a chamada frenagem regenerativa. Quando o motorista tira o pé do acelerador, muitos modelos reduzem a velocidade automaticamente para recuperar energia e recarregar parte da bateria. Esse processo faz com que o veículo desacelere de maneira diferente daquela a que a maioria das pessoas está acostumada.
"O cérebro trabalha o tempo todo comparando informações que chegam dos olhos, dos labirintos e dos músculos. Quando esses sinais não são interpretados da forma esperada, algumas pessoas podem apresentar sintomas como enjoo, tontura, suor frio e mal-estar", ressalta Dr. Saulo.
De acordo com o médico, esse mecanismo é conhecido como cinetose, também chamada de doença do movimento. Ela acontece quando existe um conflito entre aquilo que os olhos enxergam e aquilo que o sistema vestibular (responsável pelo equilíbrio) percebe durante o deslocamento.
Sem o ruído tradicional do motor, o cérebro perde uma referência importante para antecipar acelerações e desacelerações."O som também faz parte da forma como interpretamos o movimento. Nos carros convencionais, o aumento do barulho do motor prepara o cérebro para acelerar ou reduzir a velocidade. Nos elétricos, essa pista praticamente desaparece", diz Nader.
Para o neurologista, quem costuma enjoar em viagens, sofre de enxaqueca vestibular ou já apresenta maior sensibilidade ao movimento pode perceber essas diferenças com mais facilidade.
"O carro elétrico não causa labirintite nem cria um problema neurológico. Se a pessoa sente tontura apenas durante a viagem, geralmente estamos falando de uma maior sensibilidade ao movimento. Já quando a tontura aparece também no dia a dia, é importante investigar outras causas. Vale sempre buscar ajuda médica especializada, pois existem medicamentos e fisioterapia especial para o tratamento definitivo da cinetose", alerta o Doutor Tontura.
Curiosamente, quem dirige quase sempre passa menos mal do que quem está no banco do passageiro. Isso acontece porque o motorista antecipa cada aceleração, curva e frenagem. O passageiro, por outro lado, recebe essas mudanças de forma inesperada.
"O cérebro gosta de previsibilidade. Quando conseguimos antecipar um movimento, ele responde melhor. Quando somos surpreendidos o tempo todo, a chance de desconforto aumenta", enfatiza Dr. Saulo.
Dicas para reduzir o enjoo durante o trajeto:
Prefira sentar no banco da frente;
Evite olhar para o celular durante a viagem;
Mantenha o olhar voltado para a estrada ou para o horizonte;
Sempre que possível, opte por uma condução mais suave.
Segundo o Dr. Saulo, a popularização dos carros elétricos fará esse tema aparecer cada vez mais nos consultórios. Compreender como o cérebro interpreta o movimento é fundamental para diferenciar uma sensibilidade ao deslocamento de doenças que realmente exigem investigação.




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